Silvana do Monte Moreira, advogada, sócia da MLG ADVOGADOS ASSOCIADOS, presidente da Comissão Nacional de Adoção do IBDFAM - Instituto Brasileiro de Direito de Família, Diretora de Assuntos Jurídicos da ANGAAD - Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção, Presidente da Comissão de Direitos das Crianças e dos Adolescentes da OAB-RJ, coordenadora de Grupos de Apoio à Adoção. Aqui você encontrará páginas com informações necessárias aos procedimentos de habilitação e de adoção.
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domingo, 24 de novembro de 2013
ADOÇÃO TARDIA
Por Fernando Freire
A adoção de crianças durante muito tempo desafiou a competência e a
sensibilidade dos adotantes e dos técnicos. Aquilo que a criança “já
havia” vivido era considerado como uma barreira intransponível, ela já
estaria indelevelmente marcada pelos sofrimentos do abandono. Além
disso, a adoção tardia, assim como a inter-racial, impossibilitavam o
“fazer de conta que é biológico”, por isso, esse tipo de adoção era
sumariamente descartado, e até mesmo desaconselhado, pela maioria dos
candidatos. O processo de transformação cultural que vive a adoção
hoje, passando da imitação da biologia para a expressão de um direito da
criança, o direito de crescer numa família e não numa instituição, vem
permitindo a um número cada vez maior de crianças maiores a
possibilidade de sonhar com uma adoção, vem permitindo a um número cada
vez maior de pretendentes a possibilidade de viver os desafios, as
conquistas e as alegrias inerentes a essas adoções.
Uma preciosa lição que nos é dada por pais como Decebal Andrei e Tizuka
Yamazaki é a de que é preciso despertar na criança o desejo de ser
adotada. Uma criança maior precisa compreender e aceitar uma adoção,
e essa é uma experiência humana particularmente complexa. Todos aqueles
sentimentos que ela não viveu, não aprendeu a viver, tais como:
confiança, segurança, estabilidade, afeto, continuidade, delicadeza,
pertencimento, dentre outros, de um momento para o outro, passam a fazer
parte de seu cotidiano, e devem ser aprendidos, apreendidos,
assimilados. Se é verdade que cabe ao pais uma grande
responsabilidade, composta de muita paciência, tolerância e firmeza, na
condução dessa mudança, é preciso reconhecer o imenso esforço que fazem
os jovens adotados tardiamente para acreditar que, daquela vez sim, é
para valer. Promover aproximações graduais, estimular a fase de
“namoro” quando ela for possível, disponibilizar uma Rede de apoio no
pós-adoção, para os pais e para a criança, são medidas que aumentarão
substancialmente as chances de êxito dessas adoções. Socializar a rica
informação já disponível, em livros e vídeos, sobre o tema, também,
consolidará esse processo de mudança e permitirá o crescimento das
adoções tardias em nosso país. Fernando Freire, Psicólogo da Associação Brasileira Terra dos Homens/ABTH http://adocaotardia.blogspot.com.br/search/label/Fernando%20Freire
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