21 de novembro de 2014 • 20h14
• atualizado às 20h16
Uma menina de cinco anos de idade foi internada as
pressas em uma unidade hospitalar da zona leste de Manaus, no final da
tarde de ontem. Ela apresentava diversas marcas pelo corpo semelhantes à
queimadura de cigarro e cortes com faca.
A criança também estava com duas costelas e um dos
braços fraturados, além de apresentar um quadro de desnutrição. A
suspeita da polícia e que a criança tenha sido vítima de tortura por
parte da madrasta.
Até o início da tarde, a polícia aguardava decisão da Justiça para prender a mulher e o pai da garota.
Avô descobriu maus-tratos
O caso veio à tona no final da tarde da última quinta-feira, quando o avô materno foi até a casa onde a criança estava morando com o pai e a madrasta, no bairro Novo Reino, na zona leste de Manaus. A menina, que é criada pelo avô e pela mãe, atualmente em tratamento psiquiátricos, estava há dois meses sob os cuidados do pai.
O caso veio à tona no final da tarde da última quinta-feira, quando o avô materno foi até a casa onde a criança estava morando com o pai e a madrasta, no bairro Novo Reino, na zona leste de Manaus. A menina, que é criada pelo avô e pela mãe, atualmente em tratamento psiquiátricos, estava há dois meses sob os cuidados do pai.
"Levei minha neta para ficar com o pai esses meses
porque precisei me operar da vista e minha filha foi internada para
tratamento psiquiátrico. Só que eu nunca imaginaria que o pai permitiria
fazerem isso com a criança", contou o avô da menina, um auxiliar de
serviços gerais de 56 anos.
Na quinta-feira, quando o avô chegou a casa encontrou a
criança de joelhos em um canto no fundo da casa. A madrasta e o pai não
estavam no local. A garota estava com outras três crianças mais velha,
que são filhos da madrasta. "Quando vi minha neta naquele estado eu me
desesperei e me revoltei", desabafou o avô.
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A
menina estava desnutrida, cheia de marcas pelo corpo semelhantes a
cortes feitos com faca e queimaduras aparentemente feita com cigarro.
"Ela me abraçou e começou a chorar. Foi aí que me contou o que tinha
passado nesses dois meses que ficou na casa do pai. Ela não era
alimentada, apanhava. Não pensei duas vezes e a trouxe para o hospital",
relatou o avô.
Logo após dar entrada no Pronto Socorro da Criança da
zona leste, os médicos chamaram o avô e informaram que aquelas marcas
eram provenientes de agressões e maus tratos.
Os médicos também informaram ao avô e ao conselheiro
tutelar que atendeu o caso, que a garota tinha relatado ter sido
violentada. Diante dessas informações e com a autorização do avô, os
próprios médicos acionaram a polícia militar.
Prisão do pai e da madrasta
Coincidentemente, o policial militar que recebeu a ocorrência mora há duas ruas de onde a criança estava. Inclusive este PM, assim que tomou conhecimento da ocorrência, percebeu que o caso era o mesmo que há duas semanas tinha sido denunciado para ele, por uma vizinha da casa do pai da criança.
Coincidentemente, o policial militar que recebeu a ocorrência mora há duas ruas de onde a criança estava. Inclusive este PM, assim que tomou conhecimento da ocorrência, percebeu que o caso era o mesmo que há duas semanas tinha sido denunciado para ele, por uma vizinha da casa do pai da criança.
"Quando me disseram o endereço, percebi que era o mesmo
caso. Eu ainda fui umas duas vezes no local, mas sempre a casa estava
fechada e, aparentemente, sem ninguém. Vi as fotos e me bateu uma
tristeza por não ter salvado essa criança antes e, ao mesmo tempo, uma
revolta porque sou pai. Voltei na casa e dei voz de prisão para a
madrasta", desabafou o sargento Edmilson Pinheiro, da 14º Companhia
Interativa Comunitária (Cicom).
A madrasta foi encaminhada a Delegacia Especializada em
Apoio e Proteção a Criança e ao Adolescente (Deapca), onde foi ouvida
para averiguação. Horas depois o pai se apresentou e também foi ouvido.
No entanto os dois foram soltos.
"Não o prendemos porque não temos a certeza se essas
marcas e as fraturas foram ocasionadas no dia de ontem (quinta-feira). E
também porque, apesar de o pai e madrasta não terem mantido contato
após o caso vir à tona, ambos deram a mesma versão para o estado em que a
criança se encontrava. Mas isso não significa que não possam ser
presos", explicou a delegada Linda Glaucia de Moraes, titular da Deapca.
Segundo a delegada, pai e madrasta disseram que as
marcas no corpo da menina são fruto de uma alergia causada por picada de
inseto e que a desnutrição foi provocada porque a menina vomitava tudo o
que comia.
Saúde da menina
Linda ainda esclareceu ainda que o caso da violência sexual não foi relatado durante os depoimentos. Contudo, a delegada garantiu que aguarda os laudos do Instituto Médico Legal (IML) e dos médicos que acompanham a criança para decidir se pede ou não a prisão preventiva dos dois suspeitos.
Linda ainda esclareceu ainda que o caso da violência sexual não foi relatado durante os depoimentos. Contudo, a delegada garantiu que aguarda os laudos do Instituto Médico Legal (IML) e dos médicos que acompanham a criança para decidir se pede ou não a prisão preventiva dos dois suspeitos.
Uma delegada ainda deve ouvir nesta sexta-feira a criança e os médicos.
A Secretaria de Estado da Saúde (Susam) informou, por
meio de nota, que a menina deve permanecer internada na unidade
hospitalar por alguns dias até se recuperar do quadro de desnutrição.
Os médicos já trataram das fraturas e queimaduras da
criança. Um conselheiro tutelar foi designado para acompanhar o caso e o
estado das outras três crianças, que moravam com a menina de cinco
anos.
"Se for necessário vamos pedir à Justiça que essas
crianças tenham a guarda repassada para outros parentes. Esse caso foi
grave. Em 25 anos de trabalho nessa área, nunca tinha presenciado algo
parecido. Isso me chocou", disse o conselheiro Francisco Castro.
Especial para Terra
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