terça-feira, 23 de outubro de 2012

ADOÇÃO: PAIS ESTÃO MENOS EXIGENTES



Pesquisa do CNJ traz candidatos mais abertos em relação a sexo e raça. Preferência, entretanto, ainda é de meninas brancas e sem irmãos
Angélica Queiroz
Em 21/10/2012

Menina, branca, sem irmãos e recém-nascida. Por anos, esse foi o desejo de grande parte dos brasileiros dispostos a adotar uma criança. Assim, os outros perfis de criança ficavam esquecidos e os futuros pais passavam anos nas filas. Felizmente essa realidade está mudando. Uma pesquisa feita pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostra que os candidatos à adoção estão mais abertos em relação ao sexo e à raça do filho. No entanto, quando o critério é idade, os menores de 5 anos são preferência de 90% dos pais. A pesquisa confirma que essa preferência dos pretendentes é o principal empecilho à adoção no País, já que apenas 9 em cada 100 crianças aptas à adoção têm menos de cinco anos.
O estudo elaborado pelo Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ) do CNJ analisou o universo de pessoas inscritas no Cadastro Nacional de Adoção, coordenado pela Corregedoria Nacional de Justiça, referente a agosto deste ano. Segundo o sistema, há no Brasil 28.151 homens e mulheres que desejam adotar um filho. O número de pais que querem adotar é cinco vezes maior do que a quantidade de crianças e adolescentes aptos à adoção – 5.281 em todo o Brasil. Em Goiás, existem 88 crianças esperando uma nova família e 500 pais na fila. Esse cenário só deve mudar quando os pais ficarem mais flexíveis quanto aos quesitos idade e irmãos, já que a orientação é que os grupos de irmãos sejam adotados por uma mesma família.
Coordenadora do Grupo de Estudos e Apoio à Adoção de Goiânia (Geaago), Vera Lúcia Cardoso, acredita que a diminuição da preferência por meninas e crianças brancas é fruto do trabalho dos grupos de adoção em todo o País que tem conseguido promover uma mudança cultural. “É fora da realidade exigir raça num país como o Brasil. Além disso, lembramos que quando a mulher engravida ela não escolhe sexo. Porque querer escolher na adoção? As pessoas finalmente estão entendendo que é possível amar uma criança independente da raça e sexo”, comemora.
“Se quer ficar menos tempo na fila, abra o perfil
Coordenadora do Grupo de Estudos e Apoio à Adoção de Goiânia (Geaago), Vera Lúcia lamenta o fato de que mesmo os pais que aceitam crianças maiores de 5 anos escolhem aqueles com até 7 anos. “Se o menino ou a menina completa 8 anos, a perspectiva de adoção reduz drasticamente. As pessoas têm medo de pegar uma criança grande e terem problemas”, comenta. Ela também ressalta que grande parte das crianças que estão nos abrigos vem de famílias pobres. “Essas famílias, em regra, são afro-descendentes e tem vários filhos”, lembra. Segundo Vera Lucia, a rejeição da maioria dos pais por grupos de irmãos, junto com o fator idade, é o que provoca o travamento da fila de espera.
A coordenadora dá um conselho para os futuros pais. “Se quer ficar menos tempo na fila, abra o perfil. Se ficarem exigindo criança pequena e sozinha vão ficar mais tempo esperando”, simplifica. Ela lembra que se os pais não querem aumentar a faixa etária existe a opção de então abrir para grupo de irmãos e assim já ficar na frente na fila. Sobre a faixa etária, ela ressalta que a preferência dos pais é baseada na fantasia de que a criança mais nova vai ter menos traumas. “Isso é uma coisa que depende de outros fatores, depende de onde a criança veio. Se vier de uma família com histórico de violência, uma criança de 3 anos pode ter mais traumas que uma de 7 anos. Traumas dependem do contexto e não da idade”, esclarece.
Perfil dos pais
A pesquisa do CNJ fez um estudo por regiões e mostra que no Centro-Oeste os casados são maioria entre os que desejam adotar – 70%. Um destaque do estudo foi o elevado número de pessoas com mais de 50 anos que pretendem adotar nessa região – 20,2%. O Centro-Oeste é a região do País que possui o percentual mais expressivo de pretendentes na faixa de 30 a 49 anos de idade – 75,4%. Vera Lúcia afirma que Goiás segue a tendência do Estado. Segundo ela, quem mais procura pela adoção são casais, com menos de 35 anos e que não podem ter filhos. “Esses preferem os mais novos”, ressalta.
Vera Lúcia lembra que, em Goiás, as pessoas mais velhas – com filhos biológicos já crescidos –, os homossexuais e as pessoas sozinhas são as mais abertas, com menos exigências a respeito do futuro filho. Segundo ela, essas pessoas são geralmente as que se dispõe a adotar crianças mais velhas. Normalmente quem busca crianças com mais de seis anos, tampouco costuma fazer restrições quanto às demais características.
http://www.ohoje.com.br/noticia/6192/adocao-pais-estao-menos-exigentes

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